Declaração de bens dos candidatos à Presidência em 2026: veja o patrimônio de Lula, Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado e outros presidenciáveis.
Sumário:
Eleição trás eleição, um documento costuma despertar tanta ou mais curiosidade que as propostas de governo dos candidatos: a declaração de bens dos candidatos à Presidência. Nas eleições 2026, esse documento revela contrastes expressivos entre os presidenciáveis, com patrimônios que vão de modestos trinta mil reais a uma fortuna digna de uma posição no ranking da Forbes — este último, inclusive, envolto em controvérsia.
No Guia do Voto explicamos o que é a declaração de bens dos candidatos à Presidência, por que ela é obrigatória, e detalhamos os valores informados por cada um dos candidatos ao Palácio do Planalto nesta eleição, com base em registros oficiais protocolados junto à Justiça Eleitoral.
O que é a declaração de bens e por que ela é obrigatória?
A declaração de bens dos candidatos à Presidência, e aos outros cargos em disputa nestas eleições, é um documento que todo concorrente deve apresentar no momento do registro de candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nela, o candidato relaciona, de forma simplificada, seu patrimônio conhecido: imóveis, veículos, participações em empresas, saldos bancários, investimentos, previdência privada e outros ativos.
É importante destacar que os valores informados nem sempre correspondem ao preço atual de mercado dos bens — muitas vezes, refletem o valor de aquisição ou de declaração em imposto de renda. Ainda assim, o documento é uma ferramenta fundamental de transparência, permitindo ao eleitor e a órgãos de fiscalização acompanhar a evolução patrimonial de quem ocupa ou pretende ocupar cargos públicos.
Todas as declarações estão disponíveis para consulta pública no sistema DivulgaCandContas, mantido pelo TSE — a fonte oficial e mais confiável para quem quiser conferir os dados na íntegra.
Um retrato de extremos financeiros
O levantamento da declaração de bens dos presidenciáveis de 2026 mostra um cenário de grandes contrastes. Somando os patrimônios dos 13 candidatos com dados consolidados, o total se aproxima dos R$ 689,6 milhões — e a maior parte desse montante está concentrado em apenas três nomes: Augusto Cury, Pablo Marçal e Romeu Zema.
Do outro lado da tabela, há candidatos que declararam patrimônios modestos, e até dois presidenciáveis que informaram não possuir bens a declarar.
Declaração de bens dos candidatos à Presidência: Quem lidera o ranking
A seguir a lista dos candidatos à Presidência em 2026, organizados do maior ao menor patrimônio declarado.
Augusto Cury (Avante) — R$ 242,2 milhões
O escritor e psiquiatra Augusto Cury lidera com folga a lista de patrimônios entre os presidenciáveis, respondendo por quase 45% da soma total considerada. Boa parte de sua fortuna está ligada a empréstimos concedidos a empresas — cerca de R$ 121 milhões destinados à empresa Filadélfia Nature Participações —, além de aproximadamente R$ 54 milhões em participações societárias, R$ 33 milhões em ações e cerca de R$ 19 milhões em imóveis e propriedades rurais. Seu vice na chapa, o ex-deputado Júlio Delgado, declarou R$ 3,5 milhões.
Romeu Zema (Novo) — R$ 178,7 milhões
Em segundo lugar aparece o candidato do Novo, Romeu Zema, com um patrimônio 37,7% maior do que o declarado em 2022. A maior fatia de seus bens está em uma holding familiar, avaliada em R$ 94,5 milhões, além de R$ 56,2 milhões aplicados em fundo multimercado e outras participações em instituições financeiras e seguradoras. Seu vice, Eduardo Girão, declarou R$ 34,1 milhões — valor 6,3% menor do que o informado em sua última disputa eleitoral, em 2018.
Ronaldo Caiado (PSD) — R$ 52,5 milhões
O ex-governador de Goiás teve alta de 111% em seu patrimônio na comparação com 2022. Seus bens estão concentrados majoritariamente no setor agropecuário, somando R$ 36,2 milhões em imóveis rurais e cerca de R$ 10,5 milhões em rebanho. Gilberto Kassab, seu vice e presidente do PSD, declarou R$ 21 milhões — 311% a mais do que na sua última disputa eleitoral, em 2008.
Wilson Grassi (Democrata) — R$ 50 milhões
O veterinário Wilson Grassi declarou patrimônio distribuído entre bens imóveis, incluindo direitos sobre imóveis financiados, e participações societárias em diversas empresas. Sua vice, Suêd Haidar, informou possuir R$ 460 mil.
Flávio Bolsonaro declara quase o dobro do patrimônio de Lula
Entre os dois nomes que lideram as pesquisas eleitorais para a disputa de 2026, há uma diferença expressiva de patrimônio declarado.
Flávio Bolsonaro (PL) — R$ 8,2 milhões
O senador declarou um crescimento de 370% em relação ao valor informado em 2018, ano em que se elegeu para o Senado. A principal responsável por essa alta é uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões — item que sozinho representa a maior parte do patrimônio declarado. Completam a lista um fundo de investimento de cerca de R$ 1 milhão, depósitos bancários, aplicações financeiras e um veículo. Seu vice, Alfredo Gaspar, declarou R$ 565 mil, uma evolução de 95% em relação a 2022.
Lula (PT) — R$ 4,8 milhões
O presidente e candidato à reeleição declarou uma queda de 35,7% em seu patrimônio na comparação com 2022, quando havia informado R$ 7,4 milhões. A principal causa dessa redução foi a diminuição dos valores mantidos em planos de previdência privada (VGBL), que caíram de R$ 5,6 milhões para R$ 3,3 milhões. Também deixaram de constar na nova declaração créditos de empréstimos pessoais e valores de devoluções judiciais presentes no registro anterior. Em contrapartida, o vice-presidente Geraldo Alckmin viu seu patrimônio mais que triplicar, saindo de R$ 1 milhão para R$ 3,3 milhões.
Para efeito de comparação: corrigido pela inflação, o patrimônio declarado por Lula em 2022 corresponderia a aproximadamente R$ 8,8 milhões em valores de 2026 — o que reforça a magnitude da queda apresentada nesta eleição.
De Land Rover a Fiat Uno: a diversidade dos patrimônios declarados
Nem todos os presidenciáveis lidam com cifras milionárias. As declarações de bens revelam também realidades financeiras muito mais próximas do cidadão comum.
Clariana Barão (DC), com R$ 1,8 milhão, declarou três casas, um apartamento, uma fração de terreno, um veículo Land Rover Discovery Sport avaliado em R$ 376 mil e um saldo em conta corrente de pouco mais de R$ 150. Sua vice, Fabiana Torquato, declarou um patrimônio superior ao da titular, de R$ 2,2 milhões.
Renan Santos (Missão), estreante em disputas eleitorais, declarou R$ 795 mil, divididos entre poupança, bens ligados à atividade autônoma, participações societárias e quotas de capital. Seu vice, o Coronel Medina, informou R$ 1,6 milhão — incluindo itens peculiares, como uma medalha de ouro avaliada em R$ 200 mil e uma espada de oficial da Polícia Militar.
Edmilson Costa (PCB) declarou R$ 454,4 mil, valor 9,4% menor do que o informado em sua última candidatura, em 2014. O item mais valioso de sua declaração é a posse de 50% de um apartamento, avaliada em R$ 350 mil. Já sua vice, a sindicalista Cleusa Santos, declarou um patrimônio bem superior, de R$ 1,79 milhão, distribuído entre quatro apartamentos, parte de uma casa e investimentos financeiros.
No fim da lista está Samara Martins (UP), com o menor patrimônio declarado entre os candidatos que apresentaram bens: apenas R$ 33 mil, compostos por um Fiat Uno Vivace avaliado em R$ 29 mil e R$ 4 mil em poupança. Sua vice, Raquel Bricio, não declarou nenhum bem.
Já Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) informaram à Justiça Eleitoral não possuir patrimônio a declarar.
| Candidato a Presidente | Partido/Coligação | Patrimônio R$ |
|---|---|---|
| Augusto Cury | Avante | 242.281.162,52 |
| Clariana Barão | DC | 1.820.760,17 |
| Edmilson Costa | PCB | 454.485,68 |
| Flávio Bolsonaro | PL | 8.186.555,83 |
| Hertz Dias | PSTU | Não declarou bens |
| Luiz Inácio Lula da Silva | PT | 4.775.650,64 |
| Pablo Marçal | PRTB | 149.986.151,74 |
| Renan Santos | Missão | 795.089,00 |
| Romeu Zema | Novo | 178.707.610,09 |
| Ronaldo Caiado | PSD | 52.557.930,98 |
| Rui Costa Pimenta | PCO | Não declarou bens |
| Samara Martins | UP | 33.000,00 |
| Wilson Grassi | Democrata | 50.000.000,00 |
O caso à parte de Pablo Marçal
Inicialmente, a declaração de Pablo Marçal (PRTB) chamou atenção por seu valor: R$ 7,4 bilhões, quantia que o colocaria, com ampla margem, no topo da lista de patrimônios entre os presidenciáveis. No entanto, o valor já foi atualizado no site do TSE, passando para menos de 150 milhões.
O montante é inferior aos R$ 169,5 milhões que o empresário havia declarado na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. A respeito do primeiro valor informado, o próprio Marçal chegou a afirmar que a cifra estaria incorreta e que solicitou correção.
Além da controvérsia sobre o patrimônio, a situação eleitoral do empresário é delicada: Marçal está inelegível até 2032, após decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que manteve, por unanimidade, sua condenação por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2024. Ainda assim, ele protocolou o pedido de registro de candidatura nos minutos finais do prazo, amparado por decisão judicial que permitiu sua filiação ao PRTB com efeito retroativo.
Os registros ainda podem mudar
Vale reforçar que o prazo para os partidos apresentarem os pedidos de registro de candidatura terminou em 15 de agosto, e o TSE contabilizou 13 pedidos para a disputa presidencial. No entanto, esses registros ainda passam por análise da Justiça Eleitoral, que pode deferi-los ou indeferi-los — o que significa que a lista de candidatos habilitados, assim como eventuais detalhes das declarações de bens, ainda pode sofrer atualizações até o início oficial da campanha eleitoral.
Por que a declaração de bens dos candidatos à Presidência importa para o seu voto?
Conhecer a declaração de bens de um candidato não deve ser o único critério de escolha na hora de votar, mas é uma ferramenta valiosa de transparência. Ela ajuda o eleitor a entender melhor o perfil socioeconômico de quem pede seu voto, além de permitir o acompanhamento da evolução patrimonial de candidatos que já ocuparam cargos públicos — um exercício simples de cidadania que qualquer pessoa pode fazer diretamente no site do TSE, sem depender de intermediários ou de informações não verificadas que costumam circular nas redes sociais durante o período eleitoral.
Referências
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — DivulgaCandContas: sistema de consulta pública a candidaturas, patrimônio declarado, doações e prestação de contas de campanhas eleitorais. Disponível em: divulgacandcontas.tse.jus.br
Consulta em 28/08/2026

